Mania a minha, e tavez a nossa de supervalorizar nossos probelmas não é? De achar muitas vezes que não existe mais jeito de resolver ou que o jeito de se resolver seria sacrificante demais...Mania a nossa de achar que só podemos ser felizes quando não tivermos mais problemas, quando todas as áreas das nossas vidas estiverem indo de vento em polpa. (rsrsr) Pois essa mania minha, esses dias, se deparou com uma situação que me fez repensar.
Há algum tempo dois menininhos vêm, quase que diariamente,à casa de meus pais pra pedir "picanha", rsrssr) sobras de carne que meu pai guarda pra eles e eles chamam de picanha. Dessa vez veio junto a irmã deles , muito bonitinha, educada, parecia tímida e eu comecei a conversar com eles e com ela que me chamou atenção quando disse que não sabia ler e que só sabia a idade, 10 anos, porque perguntou a mãe e pegou uma moeda de R$ 0,10 e relacionou : "Eu tenho 10 anos como essa moeda de 10 centavos." Ela parecia ser tão interessada em querer aprender a ler e a sair daquele estado que eu a chamei pra voltar na minha casa no dia seguinte pra ver se eu poderia ajudar de alguma forma. Tive curiosidade em saber até onde ela não lia. Marquei às 16:00 , ela chegou às 14:00. Realmente vi que ela sabia menos que minha sobrinha de 4 anos e não demorou muito pra que eu percebesse que por mais que eu tentasse, ajudar nos poucos dias em que eu estivesse na casa de meus pais não seria o suficiente. Então, depois de tentar reforçar o que ela tinha visto na escola parei e comecei a conversar sobre ela. E aí sim alguém começou a receber uma bela lição.

O nome dela era Andreza, ela tinha decorado como se escrevia o nome de tanto que copiava do quadro, mas não sabia que palavra era aquela. Morava numa casa pequena com os pais e apesar de tudo pareceia ter uma família que se respeitava. Era de se entender a dificuldade do aprendizado na escola, porque as condições não favoreciam em nada. Recebia ajuda de algumas pessoas em troca de trabalho , achei graça quando ela disse_ se achando muito forte_ que conseguia"tombar" dois tijolos pra um primeiro andar, . Morou com alguns parentes que a maltaram. Não faltava motivos pra ela desanimar e se conformar de que a situação dificilmente mudaria, mas contava tudo isso com uma naturalidade e com uma graça que parecia um adulto convicto de que aquilo era só uma fase e que passaria depressa. Ela me pedia praque eu a ensinasse a falar certo algumas palavas que faziam parte de um vício de linguagem do ambiente que ela vivia . Eu ajudei . E isso pareceu tão pouco diante daquilo que ela me ensinou sem que eu pedisse ou que eu, talvez pretenciosamente, achasse que nem precisava . Vendo que um dia seria pouco e não sabendo se poderia ajudar mais, a aconselhei a continuar estudando pedi que treinasse em casa. Lanchei com ela, e dei algumas coisas pra que ela comesse no caminho. Não pude me comprometer mais dessa vez , mas gostaria muito reencontrar e fazer mais um pouco por ela ou talvez mais por mim mesma.
Eu costumo dizer que Deus demostra seu AMOR por nós de muitas formas, e que uma delas é pondo algumas pessoas especiais nas nossas vidas. E essa menina que pensava saber menos que eu, passou na minha vida pra me fazer lembrar que bem maior que o meu problema é o meu desânimo, é minha falta de fé, é o meu medo. Passou na minha vida pra me lembrar que se pode ficar forte e haver graça em "tombar tijolos".
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